E... cada região do mundo elegeu
seu cereal preferido: o trigo se difundiu na região mediterrânea, o sorgo no continente
africano, o arroz na Ásia, o milho na América. Em torno dessas plantas organizou-se
toda a vida daquelas sociedades: relações econômicas, formas de poder político,
imaginário cultural, rituais religiosos (...). A própria invenção da cidade,
percebida pelos antigos como lugar por excelência da evolução civil, não seria
possível sem o desenvolvimento da agricultura. Nesse processo, as sociedades
não se adequaram simplesmente às condições impostas pelo ambiente.
Modificaram-nas de modo profundo, introduzindo culturas fora das áreas
originárias e transformando a paisagem em função disso. É nesse contexto
cultural que as primeiras sociedades agrícolas elaboram a ideia de um “homem
civil”, aquele que constrói artificialmente sua comida. Uma comida que não
existe na natureza e que serve para distinguir a identidade das bestas da
identidade dos homens. O pão, na região mediterrânea, área do trigo, representa
essa distinção. Somente os homens sabem fazer o pão, tendo elaborado uma
sofisticada tecnologia que prevê uma série de operações complexas fruto de
longas experiências e reflexões. O pão representa a conquista da “civilização”.
(...) Papéis simbólicos idênticos revestem o vinho e a cerveja, bebidas
fermentadas que, como o pão, não existem na natureza, mas representam o resultado
de um saber... e o homem aprendeu a dominar os processos naturais,
utilizando-os em benefício próprio. (Massimo Montanari)
terça-feira, 12 de maio de 2015
terça-feira, 28 de abril de 2015
Mandioca Manioc Maniva
Tenho pensado no potencial do complexo
indígena da mandioca sobre o complexo cerealífero europeu do trigo... aí lembrei que estamos
vivendo a celebração dos alimentos "sem trigo" estrelada pela
mandioca na figura da tapioca... o mito de origem da mandioca a
revela como símbolo da mistura do branco português com o indígena. Na história
da culinária brasileira, a mandioca é central quando o assunto é adaptação dos
colonizadores, e sobretudo das cozinheiras, ao chamado “pão dos trópicos”.
Gilberto Freyre fala disso. As “casas de farinha” e toda uma
etnografia existente sobre o cultivo e consumo da mandioca revelam que se trata
de potente mediador e agregador de pessoas. “mexer com polvilho”, “fazer
farinha” para mulheres camponesas é uma operação de conexão com
outras mulheres e uma forma de criar “fartura”, abundância...
processando a mandioca. Conversando com as mulheres aprendi que um roçadinho de
mandioca é pura fartura, a garantia de alimento o ano todo... a
mandioca pode ficar debaixo da terra até dois anos depois de já estar pronta
para o arranque, o que facilita na questão do armazenamento desse alimento... e
então onde tem mandioca tem a farinha, tem o polvilho, tem um bolo doce, tem
tapioca, pão de queijo, beiju... é quase uma bênção esse alimento...
Abaixo cito o mito da mandioca
que eu encontrei nesse artigo aqui:
A Palavra mandioca do verbal ao verbo-visual . Autora: Beth
Brait. Revista BAKHTINIANA, São Paulo, v. 1, n. 1, p.142-160, 1o sem.
2009.
“MANI-OCA
(Casa de Mani)
Em tempos idos, apareceu grávida a filha de um chefe selvagem, que
residia nas imediações do lugar em que está hoje a cidade de Santarém. O chefe
quis punir no autor da desonra de sua filha, a ofensa que sofrera seu orgulho e,
para saber quem ele era, empregou debalde rogos, ameaças e por fim castigos
severos. Tanto diante dos rogos como diante dos castigos a moça permaneceu inflexível,
dizendo que nunca tinha tido relação com homem algum. O chefe tinha deliberado
matá-la, quando lhe apareceu em sonho um homem branco, que lhe disse que não
matasse a moça, porque ela efetivamente era inocente, e não tinha tido relação
com homem. Passados os nove meses, ela deu à luz uma menina lindíssima e
branca, causando este último fato a surpresa não só da tribo como das nações
vizinhas, que vieram visitar a criança, para ver aquela nova e desconhecida
raça. A criança, que teve o nome de Mani e que andava e falava precocemente,
morreu ao cabo de um ano, sem ter adoecido e sem dar mostras de dor. Foi
enterrada dentro da própria casa, onde era descoberta diariamente, sendo também
diariamente regada a sua sepultura, segundo o costume do povo. Ao cabo de algum
tempo, brotou da cova uma planta que, por ser inteiramente desconhecida, deixaram
de arrancar. Cresceu, floresceu e deu frutos. A terra afinal
fendeu-se; cavaram-na e julgaram reconhecer no fruto que encontraram o corpo de
Mani. Comeram-no e assim aprenderam a usar a mandioca.[O fruto recebeu o nome
de Mani-oca, que quer dizer: casa ou transformação de Mani, nome que
conservamos corrompido na palavra mandioca, mas que os franceses conservam
ainda sem corrupção] (COUTO DE MAGALHÃES, 1935, p. 167-168).”
Postado por
Patrícia Delgado Mafra
às
23:31
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quinta-feira, 16 de abril de 2015
o lugar da comida
“Em termos nutricionais nada nos
impede de comermos a sobremesa, ou beber o cafezinho como princípio do almoço;
assim como nada nos impede a prática da entomofagia (comer insetos), como o
fazem certos povos orientais, africanos ou mesmo ameríndios brasileiros. As
proteínas desta fonte alimentar, inclusive, são reconhecidas como de melhor
assimilação do que a carne. Contudo, a degustação do inseto não nos apetece. Qual
é a diferença entre se deliciar com camarões ou grilos fritos? Os odores de
certos alimentos tanto podem provocar a salivação apetitosa quanto a repulsa,
como é o caso de certas conservas ou tipos de queijos. As moléculas odorantes,
percebidas pelas células olfativas são idênticas, mas a significação da
experiência da realidade é diversa. Assim também, insere-se na dimensão da
ordenação do mundo e classificação cultural o “lugar” da comida, ou seja, em
que contextos ela apresenta-se como alimento, ou como sujeira.” Rogéria Dutra.
Antropóloga que estuda alimentação.
Dutra, Rogéria Campos de
Almeida
Família e redes sociais:
um estudo sobre as práticas e estilos
alimentares no meio
urbano/ Rogéria Campos de Almeida
Dutra - Rio de Janeiro:
UFRJ/ MN, 2007.
Postado por
Patrícia Delgado Mafra
às
12:57
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quarta-feira, 25 de março de 2015
“A regra de ouro é cozinhar!”
“A regra de ouro é
cozinhar!”
Conhecer e Comer:
caminhos para redescobrir a comida de verdade.
Seminário organizado pelo Instituto
de Nutrição/UFRJ e HCTE/Ufrj. Março de 2015.
Ocasião do lançamento do Guia Alimentar
para a População Brasileira (2014).
Tive a oportunidade de assistir duas
conferências.
A primeira conferência foi de
Carlos Augusto Monteiro (Nupens/USP) um dos coordenadores do projeto de
elaboração do Guia Alimentar para a População Brasileira 2014. Ele fez um
relato do processo, citando o método das pesquisas envolvidas e apresentando os
elementos fundadores desse novo guia.
“O que é alimentação?” É receber os nutrientes necessários ao
processo evolutivo? Sabe-se que o homem por ser omnívoro desenvolveu sua
humanidade muito em decorrência de suas práticas alimentares que ofereciam o
gradiente nutricional exato para sua evolução enquanto espécie. A relação humana
com o alimento é única no reino animal e o palestrante destaca que “somos os
únicos que preparamos nossos alimentos e por isso somos humanos”. Ele destaca a
centralidade do sistema alimentar das sociedades e como que aquilo está
integrado com a alimentação e com a nutrição daquelas pessoas. Destaca os
padrões alimentares locais e as formas de comer como centrais para encontrar a “comida
de verdade”.
“O que é saúde?” para uma
perspectiva mais tradicional, saúde é ausência de doenças. Atualmente é possível
pensar a saúde além da negação da doença, mas bem estar físico e psicológico.
Quais os obstáculos atuais para
se ter mais saúde e bem estar? Um deles
está relacionado ao poder desagregador do consumo de comida ultra processada,
muito comum nas grandes cidades brasileiras e do mundo todo. O professor
destaca que vivemos no mundo todo, modernizado e globalizado, o fenômeno do
aumento do consumo desse tipo de comida... Para ele o projeto da indústria dos
ultraprocessados está se cumprindo, quando se percebe que muito menos pessoas
cozinham sua própria comida em decorrência da falta de tempo e do marketing em
torno dos “fast food” das comidas rápidas, pré-prontas e instantâneas...
Chama a atenção para a
centralidade da comida e o que é mobilizado a partir do simples e
imprescindível ato de comer. O consumo de
ultraprocessados está diretamente relacionado com a ocorrência de doenças
crônicas, pois o organismo humano não está preparado para receber carga alta de
nutrientes sintéticos e baixa carga de fibras, gerando diversas doenças. Do ponto
de vista do ambiente, o consumo desse alimento incentiva a grande produção e a indústria
de alimentos, além de incentivar o agronegócio e a privatização das sementes
etc. Do ponto de vista social e cultural, o consumo de alimentos
utraprocessados está associado a vida urbana, individualizada e “corrida” e de
alguma maneira causa uma ruptura no sistema alimentar das sociedades. De um
modo geral, o consumo de ultraprocessados está associado a um padrão de
comensalidade desconectado da produção e do seu compartilhamento. Em relação a essa discussão ele sugeriu o
livro de Jacobs sobre “matriz alimentar”.
Na perspectiva mais atual do que
é saúde, acionada na concepção do Guia de 2014, o consumo alto de ultraprocessados é um
obstáculo forte ao que se entende por bem estar físico e mental. A regra de
ouro do guia segundo Carlos Augusto Monteiro é “cozinhar”.
O ato de cozinhar a própria
comida é operador dos princípios para uma alimentação que gere saúde. 1. Comer comida
fresca, feita na hora. 2. Variar bastante dentro do padrão alimentar inserido.
3. Aquisição de ingredientes frescos e não conservados, priorizando os pequenos
produtores que não usem agrotóxicos. 4. Comer com atenção, saber o que está
escolhendo, de preferência escolher na companhia de outra pessoa,
compartilhando o preparo e o consumo.
A falta de habilidade culinária
foi um ponto que surgiu na discussão sobre os obstáculos que temos para comer
uma comida de verdade. Outro obstáculo é
a oferta e o preço, além do falta de tempo e principalmente a ofensiva da
publicidade e do marketing acerca da alimentação processada.
Para finalizar o resumo da
conferência, ele afirmou que o guia é um bom exemplo de uma bem sucedida
parceria entre a academia e o executivo para implementação de políticas
públicas para a saúde ligadas ao Ministério da Saúde.
O guia já está disponível aqui
nesse link.
A segunda conferência foi de
Maria Emília Pacheco, atual presidente do CONSEA – Conselho Nacional de
Educação Alimentar.
Ela focou nas ameaças para uma
alimentação saudável.
Destacou que há um consenso de
que a o alimento saudável é proveniente da agricultura familiar. No Brasil os
pequenos produtores são os principais responsáveis pela produção de hortaliças e
legumes frescos “in natura”. Nesse sentido, a publicidade e o lobby a favor da indústria
de alimentos ultraprocessados são os maiores
obstáculos para uma alimentação saudável no Brasil.
Maria Emília citou um livro que é
referência para uma educação alimentar e nutricional cujo título é
“Alimentos regionais brasileiros”
ainda não tive oportunidade de navegar pelo livro e achei disponível neste link
O dia 25 de março é uma data
marcante para a segurança e a soberania alimentar da sociedade brasileira,
segundo a palestrante.
Fazem 10 anos que os “transgênicos”
foram liberados no Brasil.
Hoje, 25 de março de 2015 está em
debate na Câmara Federal a revogação do decreto de 2003 que regula o direito do
consumidos a sua informação identificada no rótulo com um símbolo T.
No Senado Federal hoje está sendo
debatido sobre o Projeto de Lei de acesso aos recursos genéticos, um projeto
que casa bem com a revogação do direito de propriedade dos quilombolas em suas terras,
lei de 2004 sancionada pelo Lula. ( confirmar essa informação, ela falou
vagamente) Esse projeto de lei é um projeto criado pelo lobby da indústria sementeira,
farmacêutica, dos cosméticos etc e que pretende conceder ao congresso nacional a
prerrogativa que até então é do poder executivo do Ministério da Agricultura.
Todo esse lobby é uma ameaça aos direitos dos povos e de suas práticas
alimentares, fundamentais para a saúde humana, do ponto de vista da segurança
alimentar.
Associado a isso temos a
publicidade atuando em conformidade com esse lobby, promovendo uma valorização
dos nutrientes em detrimento do valor nutritivo natural do alimento fresco ou mesmo
dos que são levemente processados como o queijo e o pão.
A normatização da produção de
alimentos frescos e levemente processados cria uma série de impedimentos a
produção de escala familiar e favorece a grande indústria alimentícia, ao
agronegócio, pois o critério de qualidade adotado pela vigilância é parte do
mesmo lobby e ameaça os modos de produção tradicional da comida que são tão
caros a uma alimentação que gere saúde e nesse sentido, pode –se dizer que caminha-se
para uma situação de risco alimentar... ( conferir resolução 49 da Anvisa e a
PEC 215/2013 citados pela palestrante).
Respostas possíveis:
Campanha do CONSEA
“Comida é patrimônio”
Achei aqui nesse link
Capilarizar ações voltadas para a
promoção da comida de verdade, tais como a criação de equipamentos públicos de
alimentação, feiras de produtores, eventos e iniciativas de difusão das
habilidades culinárias, políticas voltadas para o controle dos territórios e
enfrentamento da ofensiva privatizacionista das sementes... eu pensei em
projetos de cozinhas comunitárias...
A palestrante destaca que não tem
como não politizar a questão da alimentação. A ofensiva é grande e trata-se de um
fenômeno da atualidade que precisa ser enfrentado diuturnamente.
Tanto Carlos Augusto Monteiro,
como Maria Emília Pacheco, ambos os conferencistas falaram uma coisa que foi como um chamamento à cozinha...
O projeto das corporações ligadas
às indústrias de alimentos está se cumprido quando nos deparamos com pesquisas
que mostram que cada vez menos pessoas possuem alguma habilidade culinária, os
jovens estão cada vez mais inseguros na cozinha e há até uma certa glamourização
pela publicidade da inabilidade culinária...
Além do mais, destacaram que a
alimentação solitária dos fast food ou dos alimentos prontos e instantâneos
rompem com um padrão de comensalidade que está na base de uma alimentação
saudável que é o compartilhamento do preparo e do consumo da comida, o hábito
de comer junto é fator de bem estar. Do mesmo jeito que alto consumo de
alimentos processados cria um padrão de palatabilidade que estranha o paladar
da alimentação natural, um dado que surgiu nas pesquisas apresentadas no
primeiro painel do seminário foi o de que cada vez mais cedo se inicia a
ingestão de alimentos ultraprocessados, hiper saborosos e macios... o índice é
altíssimo com crianças com menos de dois anos de idade e ainda, o índice
alarmante com crianças com menos de 16
semanas! Quando citaram isso lembrei dos danoninhos, geleias de mocotó
imbasa, sustagem, mucilon, farinha láctea etc... e aí constatamos que a cultura dos
ultraprocessados está aí entre nós há
muitos anos.
Em suma, os dois enfatizaram que uma
alimentação saudável precisa levar em conta o acesso aos alimentos frescos,
livres de aditivos ou inseticidas; o incentivo à produção dos mesmos em escala
familiar, bem como a valorização dos modos tradicionais de comer e preparar a
comida.
Outros links relacionados
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Patrícia Delgado Mafra
às
16:20
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Conhecer e comer: caminhos para redescobrir a comida de verdade
Perspectiva do Guia Alimentar para a População Brasileira
Data: 24/03/2015
Horário: 8h30 às 18h00
Local: Auditório Roxinho do Centro de Ciências de Matemática e da Natureza (CCMN) - UFRJ
Horário: 8h30 às 18h00
Local: Auditório Roxinho do Centro de Ciências de Matemática e da Natureza (CCMN) - UFRJ
Programação
8h30 – inscrições e abertura
Professora Glória Valéria da Veiga – Diretora do Instituto de Nutrição Josué de Castro
Professor Mércio Gomes – Coordenador do HCTE
8h30 – inscrições e abertura
Professora Glória Valéria da Veiga – Diretora do Instituto de Nutrição Josué de Castro
Professor Mércio Gomes – Coordenador do HCTE
9h30 às 10h30 – Conferência com o Professor Carlos Augusto Monteiro (Nupens/USP)
10h30 às 11h10 – Conferência com Maria Emília Lisboa Pacheco (Consea Nacional)
11h10 às 12h30 – Painel 1: Alimentos ultraprocessados, conveniência para quem?
Princípio 1 (Guia alimentar): Alimentação é mais do que ingestão de nutrientes.
Princípio 1 (Guia alimentar): Alimentação é mais do que ingestão de nutrientes.
Convidados: Professoras Cláudia Olsieski (Nutrição/Estácio de Sá), Giane Moliari (Nutrição/UniRio) e Inês Rugani (Nutrição/UERJ)
Mediador: Professor Alexandre Brasil (NUTES/UFRJ)
Abordagem: Breve panorama sobre a industrialização dos alimentos até chegar aos ultraprocessados, com alto teor publicitário. O livro Food Politics, de Marion Nestlé, é esclarecedor ao demonstrar como a agroindústria, por meio do marketing, atuou para estimular o consumo de nutrientes ao invés de alimentos. Compreensão dos obstáculos (Guia Alimentar): Publicidade infantil
Palavras-chaves: Conhecer e comer
Mediador: Professor Alexandre Brasil (NUTES/UFRJ)
Abordagem: Breve panorama sobre a industrialização dos alimentos até chegar aos ultraprocessados, com alto teor publicitário. O livro Food Politics, de Marion Nestlé, é esclarecedor ao demonstrar como a agroindústria, por meio do marketing, atuou para estimular o consumo de nutrientes ao invés de alimentos. Compreensão dos obstáculos (Guia Alimentar): Publicidade infantil
Palavras-chaves: Conhecer e comer
12h30 às 12h40 - Mensagem de Michael Pollan.
12h40 às 14h30 – Almoço + visita às salas temáticas + feira agroecológica
14h30 às 15h30 – Painel 2: Soberania Alimentar, soberania consumidora e cidadã
Princípio 4 (Guia alimentar): Diferentes saberes geram o conhecimento.
Convidados: Dra. Daniela Sanches Frozi (FIOCRUZ/DF PALIN), Professora Luciene Burlandy (Faculdade de Nutrição/UFF) e Representante do Ministério da Saúde.
Mediador: Professor Renato Maluf (CPDA-UFRRJ)
Abordagem: Segurança e Soberania Alimentar; Políticas para ampliação de escolhas alimentares; desenvolvimento de estratégias e ações intersetoriais para Educação Alimentar e Nutricional.
Compreensão dos obstáculos (Guia Alimentar): Conceder maior valor ao processo de adquirir, preparar e consumir alimentos.
Palavras-chave: Confiança, cuidado
Princípio 4 (Guia alimentar): Diferentes saberes geram o conhecimento.
Convidados: Dra. Daniela Sanches Frozi (FIOCRUZ/DF PALIN), Professora Luciene Burlandy (Faculdade de Nutrição/UFF) e Representante do Ministério da Saúde.
Mediador: Professor Renato Maluf (CPDA-UFRRJ)
Abordagem: Segurança e Soberania Alimentar; Políticas para ampliação de escolhas alimentares; desenvolvimento de estratégias e ações intersetoriais para Educação Alimentar e Nutricional.
Compreensão dos obstáculos (Guia Alimentar): Conceder maior valor ao processo de adquirir, preparar e consumir alimentos.
Palavras-chave: Confiança, cuidado
15h30 às 15h40 – Mensagem de Marion Nestle
15h40 às 16h00 - INTERVALO
16h00 às 16h30 – Bate-papo: Todos podem e devem cozinhar
Convidada: Regina Tchelly (Favela Orgânica)
Princípio 5 (Guia alimentar): Guias alimentares ampliam a autonomia nas escolhas alimentares.
Abordagem: A habilidade culinária ganha destaque no Guia como uma das possibilidades para vencer os obstáculos à alimentação saudável. Regina irá compartilhar como a cozinha transformou a sua vida. Também irá sugerir ideias de como desenvolver essa habilidade e apresentar seus estudos com aproveitamento integral de alimentos.
Palavras-chaves: Cozinhar, Carinho
Convidada: Regina Tchelly (Favela Orgânica)
Princípio 5 (Guia alimentar): Guias alimentares ampliam a autonomia nas escolhas alimentares.
Abordagem: A habilidade culinária ganha destaque no Guia como uma das possibilidades para vencer os obstáculos à alimentação saudável. Regina irá compartilhar como a cozinha transformou a sua vida. Também irá sugerir ideias de como desenvolver essa habilidade e apresentar seus estudos com aproveitamento integral de alimentos.
Palavras-chaves: Cozinhar, Carinho
16h30 às 17h15 – Palestra: Descolonização da cultura alimentar
Palestrante: Professor Carlos Walter Porto-Gonçalves (Departamento de Geografia/ UFF)
Princípio 3 (Guia Alimentar): Alimentação adequada e saudável deriva de sistema alimentar social e ambientalmente sustentável.
Abordagem: O conceito de sistema-mundo moderno colonial, a colonização do poder e o modo de produção de conhecimento. O que significa a descolonização do saber? Quais os caminhos para uma ecologia dos saberes?
Compreensão dos obstáculos (Guia Alimentar): Reflexão sobre a importância que a alimentação tem ou pode ter para suas vidas.
Palestrante: Professor Carlos Walter Porto-Gonçalves (Departamento de Geografia/ UFF)
Princípio 3 (Guia Alimentar): Alimentação adequada e saudável deriva de sistema alimentar social e ambientalmente sustentável.
Abordagem: O conceito de sistema-mundo moderno colonial, a colonização do poder e o modo de produção de conhecimento. O que significa a descolonização do saber? Quais os caminhos para uma ecologia dos saberes?
Compreensão dos obstáculos (Guia Alimentar): Reflexão sobre a importância que a alimentação tem ou pode ter para suas vidas.
17h15 às 18h00 – Encerramento e encaminhamentos
Professor Carlos Augusto Monteiro (Nupens/USP)
Representante do Ministério da Saúde
Princípio 2 (Guia Alimentar): Recomendações alimentares devem estar em sintonia com o seu tempo.
Abordagem: vivemos a Era dos Ultraprocessados, alimentos com alto teor de publicidade, conveniência, fabricados com excesso de sal, açúcar e gordura. Daí, importância de CONHECER! Conhecer para comer. Conhecer para Contestar; Conhecer para des-Colonizar o Conhecimento; Conhecer para reivindicar Cultura; Conhecer para Cuidar da saúde e do ambiente; Conhecer para Cozinhar; Conhecer para exercer Cidadania.
Professor Carlos Augusto Monteiro (Nupens/USP)
Representante do Ministério da Saúde
Princípio 2 (Guia Alimentar): Recomendações alimentares devem estar em sintonia com o seu tempo.
Abordagem: vivemos a Era dos Ultraprocessados, alimentos com alto teor de publicidade, conveniência, fabricados com excesso de sal, açúcar e gordura. Daí, importância de CONHECER! Conhecer para comer. Conhecer para Contestar; Conhecer para des-Colonizar o Conhecimento; Conhecer para reivindicar Cultura; Conhecer para Cuidar da saúde e do ambiente; Conhecer para Cozinhar; Conhecer para exercer Cidadania.
Realização e organização:
Este evento é realizado e organizado pelo Programa de História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia (HCTE) e pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC), ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Coordenação executiva
Glória Valéria da Veiga – diretora do INJC/UFRJ
Mércio Gomes - coordenador do HCTE/UFRJ
Comissão organizadora
Ana Luisa Kremer Faller (INJC)
Gabriel Fernandes (HCTE)
Jean Phillipe Lafond (HCTE)
José Carlos de Oliveira (HCTE)
Juliana Dias (HCTE)
Letícia Tavares (INJC)
Mónica Chiffoleau (HCTE)
Roberta Castro (HCTE)
Taís de Souza Lopes (INJC)
Valéria Caselato (INJC)
Este evento é realizado e organizado pelo Programa de História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia (HCTE) e pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC), ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Coordenação executiva
Glória Valéria da Veiga – diretora do INJC/UFRJ
Mércio Gomes - coordenador do HCTE/UFRJ
Comissão organizadora
Ana Luisa Kremer Faller (INJC)
Gabriel Fernandes (HCTE)
Jean Phillipe Lafond (HCTE)
José Carlos de Oliveira (HCTE)
Juliana Dias (HCTE)
Letícia Tavares (INJC)
Mónica Chiffoleau (HCTE)
Roberta Castro (HCTE)
Taís de Souza Lopes (INJC)
Valéria Caselato (INJC)
Serviço
Evento: Conhecer e comer: caminhos para redescobrir a comida de verdade – perspectiva do Guia Alimentar para a População Brasileira
Data: 24/03/2015
Horário: 8h30 às 18h00
Local: Auditório Roxinho do Centro de Ciências de Matemática e da Natureza (CCMN)
Endereço: Av. Athos da Silveira Ramos, 274 - Cidade Universitária, Rio de Janeiro - RJ.
Inscrições: o evento é gratuito, mas é necessário fazer inscrição prévia pelo e-mail hcte@ufrj.br ou através do telefone 3938-9493
Informações: http://www.hcte.ufrj.br/ ehttp://www.nutricao.ufrj.br/index.htm
Evento: Conhecer e comer: caminhos para redescobrir a comida de verdade – perspectiva do Guia Alimentar para a População Brasileira
Data: 24/03/2015
Horário: 8h30 às 18h00
Local: Auditório Roxinho do Centro de Ciências de Matemática e da Natureza (CCMN)
Endereço: Av. Athos da Silveira Ramos, 274 - Cidade Universitária, Rio de Janeiro - RJ.
Inscrições: o evento é gratuito, mas é necessário fazer inscrição prévia pelo e-mail hcte@ufrj.br ou através do telefone 3938-9493
Informações: http://www.hcte.ufrj.br/ ehttp://www.nutricao.ufrj.br/index.htm
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Patrícia Delgado Mafra
às
08:00
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
antropologia na cozinha e a força da comida na vida social
O antropólogo Claude Lévi-Strauss
disse que o espaço da cozinha é o cenário privilegiado de reprodução das
classificações culturais de uma sociedade. Para ele, comer e cozinhar é uma experiência
humanizadora. Ele vai dizer que, assim como não existe sociedade humana sem
língua falada, não existe sociedade que, de um modo ou de outro, não processa
seu alimento. A cozinha para Lévi-Strauss, do mesmo modo que a linguagem,
revela-se como eixo central da integração entre natureza e cultura. Ele mostra
que o acesso aos alimentos e sua incorporação, ingestão são atos sempre mediados pelo
sistema simbólico no qual estão inseridos. Para ele, a ordem alimentar
constitui-se em um dos níveis onde se exprime simbolicamente a representação do
mundo.
Há, por exemplo, estudos antropológicos sobre o tema do parentesco que falam de relação de alteridade consubstanciada, que é uma percepção reveladora da força da
comida na vida social. Comermos da mesma comida é como sermos feitos da mesma
substância, o que pode equivaler ao sentido tão forte quanto ao que concedemos
a consanguinidade. Esses estudos mostram que a comida nos conecta, cria
relação, vínculos.
Saber quais são os alimentos comestíveis, definir a forma de prepará-los, de combiná-los e decidir com quem e como partilhar são distinções de ordenação social e cosmológica. Falar de comida e de cozinha não é apenas falar de nutrição, prazeres gustativos, mas basicamente falar de princípios simbólicos e de alteridade.
Saber quais são os alimentos comestíveis, definir a forma de prepará-los, de combiná-los e decidir com quem e como partilhar são distinções de ordenação social e cosmológica. Falar de comida e de cozinha não é apenas falar de nutrição, prazeres gustativos, mas basicamente falar de princípios simbólicos e de alteridade.
Patrícia Delgado Mafra
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Patrícia Delgado Mafra
às
17:43
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terça-feira, 27 de janeiro de 2015
O inhame.
Para dar uma ideia do potencial simbólico e ontológico da comida, destaco aqui as constatações de Malinowski em “Coral Gardens” (1935) por enfatizar exatamente a relação que os melanésios desenvolvem com a natureza (vegetal) a partir da horticultura, colocada - para além de seus atributos objetivos ligados a alimentação - como elemento central de sua cosmologia e socialidade. Não são os trobriandeses os donos da terra. A terra é que é a dona dos trobriandeses. Essa percepção é central na cosmologia melanesia. Veja que interessante, nas roças trobriandesas ocorrem passeios para a sua apreciação (1935:80). Ocorre uma elaboração estética e prestigiosa das hortas, assim como hortas “de referência” que operam na socialização dos mais novos nessa prática.
Malinowski nos apresenta que há uma hierarquia dos vegetais em que o inhame tem uma preeminência prática e cosmológica. Isso aparece no modo como os nativos descrevem o desenvolvimento do taro* (1935: 140-141). A produção das raízes, a maneira como elas se ramificam e como elas se reproduzem ( e como ocorre, no pensamento nativo, a relação desse desenvolvimento da parte aérea com a parte subterrânea) está diretamente relacionado a preeminência do inhame e à teoria nativa da autoctonia. Como para eles a terra é que é a dona das pessoas, não se trata apenas da socialização do resultado da plantação, mas a terra é socializada, ela faz parte desse corpo social, desse modo de socialidade.
Malinowski nos apresenta que há uma hierarquia dos vegetais em que o inhame tem uma preeminência prática e cosmológica. Isso aparece no modo como os nativos descrevem o desenvolvimento do taro* (1935: 140-141). A produção das raízes, a maneira como elas se ramificam e como elas se reproduzem ( e como ocorre, no pensamento nativo, a relação desse desenvolvimento da parte aérea com a parte subterrânea) está diretamente relacionado a preeminência do inhame e à teoria nativa da autoctonia. Como para eles a terra é que é a dona das pessoas, não se trata apenas da socialização do resultado da plantação, mas a terra é socializada, ela faz parte desse corpo social, desse modo de socialidade.
A questão da alteridade consubstanciada na vida agrícola dos trobriandeses é operada pela terra e pela comensalidade (1935:47) . Na questão de troca e parentesco geral da Melanésia, a comida exerce uma consubstancialidade que cria parentesco real entre eles. Quando se troca o inhame entra uma questão de doação de corpo, se está dando um pouco da sua substância (e também da terra) para o outro. Entretanto, a troca nunca é equivalente, sempre vai ter um a mais que é uma alteridade que estará sempre pressuposta nessa relação.
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Patrícia Delgado Mafra
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10:04
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domingo, 25 de janeiro de 2015
na horta e na cozinha
na horta e na cozinha
O espaço da fazenda é importante na construção das relações dentro do
grupo doméstico De um modo geral, as atividades no universo
camponês se organizam em dois espaços: na roça
e na casa, o que define a
centralidade dos papéis do marido e da esposa que são referência para os papéis
femininos e masculinos. No contexto etnográfico ao qual me refiro, a relação
entre mãe e filha também é construída em torno da casa, da horta e da cozinha,
bem como a relação do filho com o pai está baseada nos afazeres da roça, na
manutenção das ferramentas e no cuidado com as vacas. Nesse sentido, cabe às
mulheres o preparo dos alimentos, o cuidado com as crianças e com a casa. Além
disso, é de sua competência o trato da criação de aves e suínos e, sobretudo, a
horticultura.
As roças que visitei são de mandioca, milho, cana, feijão, arroz, pimenta
e café. Nem sempre há espaço na fazenda para o plantio de roça de feijão e
arroz, principalmente quando há criação de gado, situação em que é prioritário
o cultivo da cana e do milho para forragem. Nesses casos, é comum plantar
feijão e arroz em regime de meação e
/ ou arrendar pasto para o gado, o que vai depender da área da fazenda e do
cálculo operado pelo grupo doméstico. As decisões em relação a roça são da competência
do homem, marido, pai e proprietário da pequena fazenda. O cultivo na roça
depende sobremaneira das relações que ele estabelece com parentes e vizinhos e
a organização deles em “comunidades rurais”, que além de trabalharem uns para
os outros em regime de mutirão, juntos, demandam à prefeitura insumos e
máquinas para o preparo do solo. Nos dois povoados em que estive, ocorre
mensalmente reunião da comunidade para deliberar sobre a escala do uso do trator
e máquinas, divisão de sementes, de adubos, organização de festas, manutenção
da capela e do salão de reuniões do arraial.
Observo, portanto, que há uma distinção entre “plantar roça” e “plantar
hortaliça” nesse contexto. A roça (mandioca, cana, milho, café, arroz e feijão)
é uma atribuição dos homens e está, de modo geral, voltada para a produção de
excedentes. Além da porção para o consumo da família, é preciso produzir para a
manutenção da criação, bem como é desejável uma porção para comercializar. A
horta é exclusivamente voltada para a casa, para a alimentação do grupo doméstico. Horta e cozinha,
portanto, são espaços físico e simbolicamente contíguos cujos saberes e práticas são
controlados majoritariamente pelas mulheres.**
**trecho do texto "Na horta e na cozinha: práticas femininas e saberes vegetais no universo camponês." Trabalho de conclusão do curso MNA-818 (Antropologia das emoções): Antropologia da Natureza: o humano e o mundo vegetal. PPGAS/MN/UFRJ. Professores: Luiz Fernando D. Duarte e Ana Maria L. Daou (IGEOC/UFRJ). 2009/1.
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Patrícia Delgado Mafra
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11:59
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
manjericão
Lembrei de um episódio que ocorreu comigo durante minha estada na casa
de uma das famílias que me recebeu para o trabalho de campo. Nessa estada, como
já disse antes, participei diretamente do trabalho na cozinha. Certo dia,
comentei com Dona Sebastiana sobre um dos pratos que havia aprendido a preparar
recentemente: panquecas recheadas de carne moída guarnecida por molho de
tomate. “Para experimentar uma comida diferente”, Dona Sebastiana pediu-me que
no almoço do dia seguinte eu o preparasse para toda a família.
Os ingredientes - a carne moída, farinha de trigo, leite, ovos,
queijo, tomates, cebola e alho - já faziam parte do cardápio diário da família
e estavam disponíveis na dispensa da casa. Notei também que em sua horta, havia
muitos pés de manjericão e como costumo utilizá-lo nos pratos a base de massa e
tomate, resolvi espalhar suas folhas sobre as panquecas antes de lavá-las ao
forno. Na hora em que sentamos para almoçar, a filha de Dona Sebastiana ao
colocar na boca a primeira garfada, engasgou e saiu para o terreiro para cuspir
a comida. Seu pai perguntou o quê eram aquelas folhas verdes que eu havia
colocado no prato. Dona Sebastiana parecia tentar saborear a comida, mas me
perguntou porque havia colocado “remédio” nas panquecas. Sua filha retornou à
mesa e retirou as panquecas de seu prato, pediu desculpas por não ter gostado e
disse-me que nunca havia visto “essa
erva” ser usada na comida e que era usada apenas para fazer
ungüentos na extração de pus em inflamações subcutâneas. Por fim, pedi mil
desculpas e expliquei que o uso que conheço e faço é o de aromatizar a comida
preparada à base de tomate. Para consertar o equívoco, pedi licença, levei o tabuleiro
para a beira do fogão, retirei todas as folhas de manjericão e preparei outro
molho de tomate, derramei-o em cima das panquecas e recoloquei-as no forno por
alguns minutos. Voltei com as panquecas para a mesa, mas a filha e o marido de
Dona Sebastiana não quiseram mais comê-las, experimentaram e lamentaram o forte
gosto do “remédio” que ainda permanecia na comida.
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Patrícia Delgado Mafra
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10:07
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terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Cozinhas
As casas que visitei e as que me hospedei têm uma característica que é comum entre elas, é o fato da fornalha, fogão a lenha, ficar em um aposento que é separado da casa. A cozinha, como se chama, fica dentro da casa e não é muito usada para cozinhar, apenas para guardar os alimentos, ou quando é tarde da noite poder quentar uma comida ou fazer um chá no fogão a gás. Geralmente, a cozinha que não é usada para cozinhar é enfeitada com jogos de louças nas prateleiras, estas quase sempre adornadas com paninhos bordados. O local onde fica a fornalha é um aposento que quando não é separado, fica numa varanda, numa parte mais perto do quintal, voltado para fora da casa.
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Patrícia Delgado Mafra
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12:18
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
uma antropóloga na cozinha
Entrei na faculdade de ciências sociais aos 27 anos, já mãe de uma menina de 6 e ao concluir tive o privilégio de fazer o mestrado em antropologia, pegando a trilha da antropologia urbana, estudando os camelôs. "A pista e o camelódromo: o cotidiano dos camelôs no Centro do Rio" é o título da dissertação que defendi no PPGAS - Museu Nacional.
Depois de um intervalo de 3 anos volto ao Museu Nacional para cursar o doutorado e realizo um estudo de comunidade na região Alto (rio) Paranaíba, onde morei com duas famílias de pequenos agricultores no interior do estado de Minas Gerais. A experiência no trabalho de campo foi essencialmente nas cozinhas das duas fazendas, o que definiu os rumos da pesquisa "Casa, comida e criação no Alto Paranaíba". Infelizmente tive que interromper a escrita da tese em 2013 por motivos de saúde. A saúde vai bem e em breve retornarei ao doutorado. Enquanto isso, estou me profissionalizando em cozinheira pelo Senac-RJ e estou muito encantada com o mundo da cozinha profissional e da gastronomia.
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Patrícia Delgado Mafra
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17:33
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quinta-feira, 29 de novembro de 2012
domingo, 17 de abril de 2011
frases, poemas e comida
País do açúcar
Começar pelo canudo,
passar ao branco pastel
de nata, doçura em prata,
e terminar no pudim?
Pois sim.
E o que bóia na esmeralda
da compoteira:
molengos figos em calda,
e o que é cristal em laranja,
pêssego, cidra vidrados?
A gula, faz tanto tempo,
cristalizada.
Carlos Drummond de Andrade
Começar pelo canudo,
passar ao branco pastel
de nata, doçura em prata,
e terminar no pudim?
Pois sim.
E o que bóia na esmeralda
da compoteira:
molengos figos em calda,
e o que é cristal em laranja,
pêssego, cidra vidrados?
A gula, faz tanto tempo,
cristalizada.
Carlos Drummond de Andrade
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Patrícia Delgado Mafra
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12:40
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Marcadores:
frases poemas comida
frases, poemas e comida.
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, estrogonofes - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?"
Vinícius de Moraes
Vinícius de Moraes
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Patrícia Delgado Mafra
às
12:38
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domingo, 3 de abril de 2011
prato do dia - escondidinho de inhame com carne seca.
receita em imagens. deixem perguntas se houver alguma dúvida. boa semana.
A receita deste Escondidinho:
Ingredientes:
- 1 kg de inhame
- 700 g de carne seca. (dê preferência ao lagarto ou qq outro corte que seja menos entremeado de gordura e nervo)
- temperos para refogar a carne ( cebola, alho, azeitona e o que mais vc achar que combina)
- 3 tomates sem pele ( ou cortado em tamanhos grandes, de modo que depois de refogado, fique fácil de retirar a pele. )
-2 gemas de ovo
- 1 pitada de sal na massa de inhame ( lembrar que a carne seca é bem salgada).
Preparo.
Cozinhar no vapor os inhames com casca. ( ao contrário do que se imagina, não demora muito para que fiquem bem macios, cerca de 15 e 20 minutos depois que a água começa a ferver)
Cortar a carne em três pedaços e deixar de molho por, pelo menos, 2 horas ( mas se for fazer de ultima hora, dê uma fervura e dispense a água e então coloque na pressão por 30 minutos).
Desfie a carne cozida e refogue com alho e cebola e tomate, pingue um pouco de água de modo que a carne fique umidecida.
Descasque os inhames com a mão e amasse-os, em seguida forre um refratário, separando 1/3 da massa para cobrir.
Derrame a carne refogada, cubra e passe gema de ovo.
Leve ao forno até a gema ficar dourada.
Variações possíveis:
-Servir com queijo parmezão
-Incluir queijo catupiry
-fazer um recheio de camarão. de bacalhau...
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Patrícia Delgado Mafra
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21:06
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receitinhas;inhame;carne seca;escondidinho
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Uma leitura interessante
FAMÍLIA E REDES SOCIAIS: UM ESTUDO SOBRE PRÁTICAS E
ESTILOS ALIMENTARES NO MEIO URBANO
Rogéria Campos de Almeida Dutra
Rio de Janeiro
2007http://teses.ufrj.br/PPGAS_D/RogeriaCamposDeAlmeidaDutra.pdf
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Patrícia Delgado Mafra
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13:54
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quarta-feira, 23 de março de 2011
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